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Estratégias para Intubação em Pacientes com Fratura Cervical

Foto do escritor: Max AlvesMax Alves

A intubação de pacientes com fratura cervical representa um desafio significativo para os profissionais de saúde, pois envolve minimizar o risco de lesão adicional à coluna cervical enquanto mantém a oxigenação adequada. Este capítulo aborda as melhores práticas para intubação em situações de trauma cervical, destacando a escolha do fio guia, o uso de dispositivos como o videolaringoscópio e a importância de estratégias específicas para diferentes tipos de pacientes.


1. Importância da Imobilização Cervical


Pacientes com suspeita de fratura cervical devem ser mantidos em imobilização rigorosa para prevenir lesões medulares. O uso de um colar cervical adequado é essencial, e a remoção ou afrouxamento do colar deve ser evitada sempre que possível. A manipulação da coluna cervical deve ser mínima, e, se necessário, deve ser feita sob controle cuidadoso.


2. Escolha do Fio Guia: Taco de Hóquei versus Semi-Círculo


O fio guia é uma ferramenta útil na intubação difícil, especialmente em pacientes com limitações de mobilidade cervical. O formato do fio guia pode influenciar significativamente o sucesso da intubação, dependendo das características anatômicas do paciente.


2.1. Formato Taco de Hóquei

- Descrição: Apresenta uma curvatura mais distal, similar ao formato de um taco de hóquei.

- Indicações:

  - Pacientes com pescoço longo (longilíneos).

  - Anatomia que exige uma curvatura acentuada na região distal para alcançar a glote.

- Vantagens: A curvatura distal facilita a introdução em vias aéreas mais profundas e menos anguladas.




2.2. Formato Semi-Círculo

- Descrição:Possui uma curvatura mais uniforme e menos acentuada, distribuída ao longo do comprimento do fio guia.

- Indicações:

- Pacientes com pescoço curto (brevilíneos).

- Melhor para vias aéreas com menor distância entre a cavidade oral e a glote.

- Vantagens: A curvatura menos pronunciada facilita o controle em pacientes com anatomia compacta.




Escolha Prática: A decisão entre o taco de hóquei e o semi-círculo deve levar em consideração o comprimento do pescoço do paciente e a necessidade de curvatura específica. Avaliar previamente o formato do pescoço pode ajudar a otimizar a escolha.


3. Uso do Videolaringoscópio


O videolaringoscópio é a ferramenta preferida para intubação em pacientes com fratura cervical devido a sua capacidade de fornecer uma visão direta da glote sem necessidade de alinhamento direto dos eixos oral, faríngeo e laríngeo.


3.1. Vantagens do Videolaringoscópio

- Minimiza Manipulação: Reduz a necessidade de movimentar a cabeça e o pescoço.

- Melhora a Visualização: Proporciona uma visão ampliada da via aérea.

- Facilita o Treinamento: Permite que o operador e o assistente visualizem o procedimento simultaneamente.


3.2. Técnica com Videolaringoscópio

1. Confirme a imobilização cervical.

2. Posicione o videolaringoscópio cuidadosamente, respeitando os limites impostos pelo colar cervical.

3. Introduza o tubo endotraqueal utilizando o fio guia adequado (taco de hóquei ou semi-círculo).

4. Verifique a posição correta do tubo por meio de capnografia e ausculta pulmonar.


4. Abordagem Baseada no Tipo de Pescoço


Pacientes Longilíneos (Pescoço Comprido)

- Característica: Maior distância entre a cavidade oral e a glote.

- Recomendações:

  - Prefira o fio guia em formato de taco de hóquei.

  - Use o videolaringoscópio para evitar desalinhamento cervical.


Pacientes Brevilíneos (Pescoço Curto)

- Característica: Distância menor entre a cavidade oral e a glote, vias aéreas mais compactas.

- Recomendações:

  - Utilize o fio guia em formato semi-círculo.

  - Videolaringoscopia é altamente recomendada devido à limitação de espaço.


5. Cuidados Pós-Intubação


Após a intubação bem-sucedida:

1. Certifique-se de que o tubo endotraqueal está adequadamente fixado para evitar deslocamentos.

2. Mantenha a imobilização cervical durante o transporte e manuseio do paciente.

3. Monitore continuamente a oxigenação e a ventilação.


6. Considerações Éticas e Treinamento


- Treinamento: Todos os profissionais envolvidos devem ser treinados no uso do videolaringoscópio e no manejo de vias aéreas difíceis. Faça o SAVeM.

- Planejamento:*l O manejo de pacientes com fratura cervical requer uma abordagem multidisciplinar para minimizar riscos.



A intubação em pacientes com fratura cervical exige uma combinação de habilidades técnicas, equipamentos adequados e planejamento estratégico. A escolha entre o fio guia em formato de taco de hóquei e o semi-círculo deve ser individualizada, levando em consideração as características anatômicas do paciente. Sempre que possível, o uso de videolaringoscópio é preferível, reduzindo a manipulação cervical e aumentando as chances de sucesso no procedimento.



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